Saturday, April 20, 2002

pensando bem sobre uma série de coisas, acho que a humanidade deveria ser muito grata ao tédio. não ao ócio, ao tédio. aquele absoluto nada que incomoda, aquele cansaço do descansaço, aquele banzo, aquele futum...

acho que já fiz mais coisas por tédio que por amor e embora isso possa soar um tanto quanto tarja preta, se você parar para pensar dois minutos, temos na vida mais tédio que amor de fato. Eu já contei todos os azulejos do meu banheiro, já contei os tacos do chão do meu quarto (e são muito poucos), já contei os furinhos da minha placa magnética, os paletes da persiana, quantas pessoas cujo nome começa com a letra "m" tinham me mandado e-mail desde a última lobotomia do meu computz. E ontem comi pipoca usando um palito de dente. E comecei tentando comê-las por ordem numérica - primeiro aquelas que tinham mais "pétalas"... mas minha impaciência foi maior que meu tédio.

Outro exercício de tédio é ficar tentando roer a unha de um dedo da mão direita igualzinho à outra do outro da mão esquerda. Ou fazer a água passar entre os dentes da frente até que ela fique quente e/ou sua gengiva fique dormente.

Piora quando eu fico doente essa onda de tédio. Porque aí até os exercícios de tédio tornam-se tediosamente enfadonhos. Aí eu saio pegando figuras estranhas na internet e imprimindo e colando atrás da porta do meu banheiro. Ou fico ligando para todo mundo... ou escrevo alguma porcaria.

Estou gripada. A única vantagem de estar gripada é que a confluência te priva de seguir regras estéticas. Estou aqui, feliz da vida, de camisola (com um desenho de um hominho pescando e uma mulherzinha mergulhando), uma calça velha velha velha por baixo (azul escura de florzinha) uma meia que ganhei da AirFrance quando eles perderam minha bagagem (barata, azul de listras amarelas berrantes), um penteado que me lembra os anos 80. E se alguém tirar o controle remoto de minha mão, será como perder um braço.

Forçada a me privar do vício tabagista por causa de todo o tumulto nas minhas vias respiratórias, forçada a não comer não comer absolutamente a menos que esteja com fome, fico prostrada na cama, tentando calcular (e este jogo é inédito) quantas voltas o ventilador dá por minuto na velocidade máxima e na mínima. Para isso tive que marcar uma das hélices com uma fita crepe.

E aí de repente sinto o cheirinho do Mancebo das Montanhas no meu travesseiro e sinto saudade, uma saudade imensa. Olho para o computador e ele me olha de volta, todo sépia, dum falso anúncio de cigarros.

...... Se eu deixar de sofrer, como é que vai ser para me acostumar...

bom. basta é basta. vou assistir um filme estúpido na tv a cabo, reler a número um do sandman que troquei numa festa do escambo por um cd-rom da bíblia, vou cortar as unhas dos pés, preparar material didático, fazer limpeza de pele... até que a noite finalmente chegue e com ela o sono e com ele a cura.

Mas só para terminar o raciocínio com que abri este inbloguemento, creio que muitas invenções e descobertas da humanidade se devem ao tédio. Como por exemplo, o peso atômico dos elementos da tabela periódica...

hasta.

Legenda:

Mancebo das Montanhas : Willi, meu boifrendo.

tinha perdido a senha do attic. agora, as coisas mais novas estão no ::de:: ( http://andarcomfe.blogspot.com/ ) . Mas that's all, porque como se pode ver, lembrei a senha do attic e retorno ao ventre materno...

m,m